
Abri os olhos, o corpo deitado na cama e em carne semi-viva, com as extremidades tapadas pelos calções e um top azulado marcado por um desenho, em forma de estrela no meio do peito.
Vejo todo o caos, que se apoderou em mim no dia anterior. Depois dos beijos de boa noite, a linguagem das primeiras sílabas estão escritas na minha boca que derramam lágrimas no colchão salgado.
A primeira coisa que ocorre é ansiedade e medo, ao ver a cirurgia a ser cancelada, a minha alegria tinha sido expulsa, evacuada e afastada dos meus sonhos tão perto da realidade.
O quarto ficou vazio e opaco, o cheiro de tristeza que se fundiu numa manada de desordens incontroláveis. Tudo é diferente. Já não existe, aquele entusiasmo. Estava aborrecida, chateada e irritada comigo própria, por ter acreditado, que era o meu dia onde tudo iria mudar.
Mal esperava, sai da Unidade Hospitalar em direcção a um restaurante, um delicioso almoço com batatas fritas e leitão fresco e aí no presente instante, o hospital ligara para a minha mãe a dizer, para eu estar internada no dia seguinte. Fiquei de pé, com o garfo na mão, a pular que nem uma louca.
Olhares desconhecidos fixavam-me intrasigentes perante o meu comportamento. Estava extasiada de alegria, nem queria acreditar, fora tudo tão rápido. A noite adormeceu, mal consegui fechar os olhos e dar asas aos sonhos. Fui implantada no dia como hoje, o dia mágico com dois números 29 numa bela manhã solarenga, de céu azul, com pássaros a cantar e voar freneticamente.
Amanhã é o meu dia de ACTIVAÇÃO!!!
(estou com pulgas no rabo)